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Magistrada participa de palestra beneficente sobre violência doméstica em Blumenau.

No ano passado 59 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina. Atualmente há mais de 4,2 mil casos que envolvem violência doméstica em tramitação na justiça estadual. Somente no último mês de janeiro, outros 1,3 mil processos foram abertos no Estado. Para abordar a causa destas estatísticas, falar sobre prevenção, denúncia e orientar as mulheres, a […]

Publicado em 11/03/2020 às 02:52


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

No ano passado 59 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina. Atualmente há mais de 4,2 mil casos que envolvem violência doméstica em tramitação na justiça estadual. Somente no último mês de janeiro, outros 1,3 mil processos foram abertos no Estado. Para abordar a causa destas estatísticas, falar sobre prevenção, denúncia e orientar as mulheres, a juíza Quitéria Tamanini Vieira Péres, titular da 1ª Vara Cível e coordenadora adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca de Blumenau, e a médica oncologista Lisiane Anzanello promoveram o evento “Violência contra a Mulher, um Basta Necessário!”, no Teatro Carlos Gomes, no Centro de Blumenau.

Logo no início da palestra, o público recebeu um adesivo, onde deveria escrever o que era preciso ser feito e ter mais para haver menos violência doméstica e contra a mulher. Ao fim do encontro, as mulheres foram convidadas a levantar e falar em alto e bom som o que foi escrito por elas. Amor, dignidade, educação, informação, respeito, igualdade de gênero foram algumas das palavras que ecoaram no teatro, sob o som das violinistas. Foi o momento mais emocionante do evento.

Desabafos e diálogos reais também permearam o encontro. Com o objetivo de apresentar formas de dar um basta à violência contra a mulher, as palestrantes abordaram as diferentes formas de violência, desde a auto violência até o feminicídio. “Quando mulher está sob violência, ela só foca nessa sensação, nesse medo e precisamos focar no amor, no amor que ela tem por ela. Sabe aquelas normas de segurança de avião? A aeromoça nos informa, que, `em caso de emergência cairão máscaras de oxigênio e você precisa colocar primeiro em você e depois ajudar a pessoa que está ao seu lado? O que diz isso para vocês? Eu tenho que me amar primeiro, tenho que gostar de mim, me respeitar e me perdoar para que eu realmente possa ajudar o outro e viver o amor, a amizade e o companheirismo”, observou a oncologista, em uma de suas falas.

No bate-papo que ocorreu no palco do auditório Willy Sievert, a magistrada comentou sobre a dificuldade que as mulheres têm em procurar ajuda quando se encontram em uma situação de violência doméstica, principalmente se vivenciam situações de agressões psicológicas de seus companheiros. “Tudo começa com ofensas, se transforma em agressão física e ela decide que não quer mais aquilo para ela, mas no dia seguinte o que acontece? No dia seguinte vêm as flores, vem o cartão, vem a declaração de amor e aquela mulher que ama demais, ela aprendeu a tolerar. Ela aprendeu a tolerar e a acreditar que foi só daquela vez, que em uma próxima há de ser diferente. O amar demais tira de nós o discernimento sobre as coisas, cria um dever de tolerância acima da média. Acreditando nisso, ela retoma o relacionamento e não é preciso ter bola de cristal para saber o que vai acontecer”, reflete a juíza.

O evento contou com apresentações culturais das violinistas Heidrun Marie Ehlert Lehmann e Patrícia Perizollo e das cantoras Taise Ramos Beduschi e Mayla Valentin, acompanhadas do violonista Edu Colvara. Toda a renda da palestra foi revertida ao Instituto Bia Wachholz, que luta em prol das mulheres que clamam por respeito e dignidade. O evento ocorreu no dia 5 deste mês.

Fotos: Divulgação.