Whatsapp
   jaimebnu@terra.com.br
  • Diversos

Livro Fachwerk – A Técnica Construtiva Enxaimel, será lançado em Blumenau

Dia 31 de janeiro de 2020 – o lançamento do livro Fachwerk – A Técnica Construtiva Enxaimel, na cidade de Blumenau. Local: C.C. 25 de Julho de Blumenau. Horário: 19:30h Desde a década de 1990 buscamos respostas para questões relacionadas a técnica construtiva enxaimel. Percebemos que na escala regional, no Vale do Itajaí, existiam muitas […]

Publicado em 22/01/2020 às 02:17


Dia 31 de janeiro de 2020 – o lançamento do livro Fachwerk – A Técnica Construtiva Enxaimel, na cidade de Blumenau.
Local: C.C. 25 de Julho de Blumenau.
Horário: 19:30h

Desde a década de 1990 buscamos respostas para questões relacionadas a técnica construtiva enxaimel. Percebemos que na escala regional, no Vale do Itajaí, existiam muitas “respostas e conceitos” prontos, entre os quais, alguns se contradiziam entre si, outros não apresentavam muito sentido e consistência dentro da pesquisa superficial que desenvolvíamos em diferentes momentos. 

Como arquiteta, pesquisadora e professora, acompanhamos parte do trabalho pioneiro desenvolvido pelo arquiteto, professor e Doutor Vilmar Vidor na região e no sul do Brasil – muitas vezes, como integrante de sua equipe. Presenciamos debates calorosos sobre o tema, sua importância, ou não, dentro de grupos de pesquisadores, acadêmicos. Também percebemos que surgiam “especialistas” da técnica construtiva regional, cujo conteúdo e prática eram superficiais diante da técnica usada não somente no Sul do Brasil, mas em boa parte da Europa, Estados Unidos e também no Oriente.

O desejo de escrever sobre, elucidando parte destas perguntas só aumentou, sem a pretensão elucidativa completa, naturalmente se materializou, quase como uma necessidade e compromisso. Quando ingressamos na academia como professora, sentimos a necessidade de organizar este assunto e compartilhar com aqueles que tinham estes mesmos questionamentos, não somente no momento presente, mas também, contando com àqueles que ainda terão sua sinapse pessoal com o tema, despertado no seu “momento presente”.

A busca permanente para compreender mais sobre a técnica construtiva enxaimel, levou-nos até a Alemanha, origem do enxaimel trazido para o Vale do Itajaí e para o Brasil, onde tivemos a oportunidade, materializada pelo editor da revista alemã Weltruf – Dr. Wolfgang Betz, de encontrar arquitetos e pesquisadores do tema, como Holger Göttler e Dr. Konrad Bedal, além de poder estar em cenários formados por conjuntos originais de casas enxaimel, construídas em vários períodos históricos. Neste momento percebemos segmentos materiais que faltavam para compreender melhor, sob a ótica macro, dentro da linha do tempo histórica e não somente em segmentos, como percebíamos muitos fazendo – na região do Vale do Itajaí e no Brasil. 

Na Alemanha percebemos que o material apresentado sobre a técnica construtiva enxaimel, tem seu início ligado aos primórdios da civilização ocidental. Ao estudarmos as tipologias das casas enxaimel, não somente nas regiões que mais receberam este tipo de técnica no Brasil, mas dentro da região do Vale do Itajaí, de maneira inédita, conseguimos classificar as casas sob o aspecto técnico, volumétrico, regional e dos períodos históricos, embora estes eram muito pequenos, mas percebidos. Conseguimos delinear a casa rural e a casa urbana e percebemos que cada uma destas tipologias seguiu sua própria história e adotou suas próprias características ao longo dos períodos históricos. 

A pesquisa nos induziu a observar o processo evolutivo da casa construída com estrutura de madeira desde os primórdios, na Europa, e também, dentro de um recorte de tempo mais recente, no Vale do Itajaí, podendo ter sido em qualquer outro lugar, onde foi construída a casa enxaimel. O resultado final da casa está relacionado à maneira do homem em se apropriar do espaço, de fazer uso dos materiais naturais retirados do entorno, da tecnologia adotada, do tipo e aperfeiçoamento da mão de obra usada, da cultura e das atividades das pessoas que formam a sociedade residente que constrói e faz uso do espaço da casa, do recorte de tempo histórico – da casa enxaimel. Esta diversidade a partir das variantes citadas é responsável pelas diferentes formas e tipologias a partir das muitas opções para construir a casa enxaimel, em qualquer região do planeta, da Europa, da Alemanha, do Brasil – e em suas regiões, como: Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina.

Este estudo e pesquisa, sob o aspecto histórico e antropológico pode auxiliar no entendimento e nos permitiu delinear o processo do Fachwerk – a Técnica Construtiva Enxaimel e de suas muitas e diferentes etapas. 

Para resumir, após este trabalho e uma pesquisa de mais de 25 anos, reforçamos que enxaimel não é um estilo, não é limitado dentro de um conceito engessado dentro de um recorte de tempo somente, não é “ripa” colada em um parede de alvenaria, não é tecnologia repassada pelos indígenas que viviam no Brasil quando chegaram os pioneiros, não foi construído e usado pelos “colonos” somente, não é coisa velha, não é passado, não é coisa pobre, não é só aquela edificação que tem tijolos à vista, …,.

A casa com a estrutura enxaimel é um dos muitos modelos resultantes de um processo que teve início durante a primeira grande revolução do homem, quando este deixou de ser coletor e caçador e se fixou no solo, tornando-se agricultor a pastor. Homem que domou, segundo Munford, a si mesmo e depois, o meio insalubre que tinha que tirar a sua sobrevivência e construir a sua casa primária com materiais tirados deste meio, o embrião da casa de madeira encaixada, com a presença dos primeiros encaixes.

Enxaimel é uma estrutura de madeira independente das paredes, com toda a complexidades da distribuição de cargas que isto significa e só conseguida nas casas de alvenaria após os experimentos na igreja de Santa Sofia, no século VI e depois evoluído até chegar a leveza dos vitrais das catedrais góticas – o ápice desta revolução na técnica construtiva em alvenaria de pedras. A casa de madeira já apresentava a sua estrutura independente das paredes, 6.000 anos a.C. e que nunca deixou de ser construído, até o tempo presente.